Você já ouviu falar que zumbido “não tem tratamento” e que era preciso simplesmente conviver com ele? Essa frase, repetida por anos, começa a ser revista. O zumbido (tinnitus) afeta mais de 740 milhões de pessoas no mundo — cerca de 14% da população global — e aproximadamente 28 milhões de brasileiros, segundo dados da OMS.
Na prática, isso significa que o zumbido no ouvido está entre as queixas mais comuns na otorrinolaringologia — e também uma das mais negligenciadas. A boa notícia: temas que marcaram época e caíram no esquecimento voltaram ao centro do debate científico, com estudos novos e respostas mais precisas sobre quem pode se beneficiar de cada abordagem.
O que foi destaque no Congresso de Zumbido em Berlim
Durante o congresso realizado em Berlim, foram apresentados trabalhos que investigam a associação do zumbido com três fatores principais:
- Pior queixa do paciente — como o zumbido impacta a qualidade de vida;
- Maior desconforto — intensidade e incômodo percebidos no dia a dia;
- Níveis de vitamina D — a relação entre a deficiência do nutriente e o zumbido.
Além disso, o evento reservou espaço para a discussão de um “clássico” do tratamento: o Ginkgo biloba. Temas que eram abordados há alguns anos e depois caíram no esquecimento agora voltaram com novos dados — e isso muda a forma de conduzir o paciente.
Vitamina D e zumbido: o que dizem os estudos
A relação entre vitamina D e zumbido ganhou força nos últimos anos. Um estudo de caso-controle publicado em 2021 comparou 201 pacientes com zumbido subjetivo e 99 pessoas sem a queixa, avaliando os níveis séricos de vitamina D e sua influência na gravidade do sintoma.
👉 A linha de pesquisa é promissora porque a deficiência de vitamina D é altamente prevalente na população — e, se de fato contribui para a intensidade do zumbido, trata-se de um fator modificável, que pode ser investigado e corrigido na avaliação do paciente.
Ginkgo biloba: o retorno de um clássico
No início, o Ginkgo biloba era praticamente a única alternativa de tratamento disponível para o zumbido. Com o tempo, revisões sistemáticas — como a da Cochrane (2022) — apontaram que não havia evidências consistentes para apoiar ou refutar seu uso, e o medicamento caiu em desuso.
Agora, novos estudos voltaram a investigar a substância com um recorte diferente: em quais casos específicos ela pode, de fato, trazer benefício. Em vez de um “remédio para todo mundo”, a tendência atual é a medicina de precisão — identificar o perfil do paciente que responde bem a cada abordagem.
Por que isso importa para quem tem zumbido
Essas novidades reforçam uma mensagem central: o zumbido merece investigação, não resignação. Cada paciente tem uma causa, um perfil e uma resposta diferente — e é isso que a ciência atual busca mapear.
⚠️ Se você convive com zumbido constante, intermitente ou que piorou recentemente, o ideal é uma avaliação completa com otorrinolaringologista, incluindo audiometria e exames que ajudem a identificar possíveis fatores associados.
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